Nas Tuas mãos, minhas ansiedades

Postado por Vitor Sousa , quarta-feira, 5 de maio de 2010 15:21

(Texto inspirado em Mateus 6.25-34)

O mundo pós-moderno nos impõe um turbilhão de exigências em todas as áreas da vida. Família, estudos, namoro, carreira profissional... tudo exige nossa decisão! Naturalmente, começam a surgir questionamentos, incertezas, dúvidas... “Será que vai dar certo?”.

São desses momentos de incertezas que nascem as ansiedades. Na definição do Aurélio, ansiedade é o “estado emocional angustiante... em que se preveem situações desagradáveis, reais ou não”. Por, obviamente, não conhecermos o que o futuro nos reserva, damos asas à nossa imaginação e passamos a especular como as coisas se desenrolarão. Daí nos deparamos com as possibilidades desagradáveis. Tal exercício imaginativo gera, em nós, uma angústia tão profunda que termina por desencadear uma série de outros “sintomas” maléficos até mesmo à nossa saúde física.

Esse, sem dúvida, é o passo que está destinado à nossa geração. Quer um exemplo? Uma pesquisa divulgada em janeiro desse ano “indicou que cinco vezes mais estudantes americanos sofrem ansiedade e outras desordens mentais na comparação com jovens de mesma idade do final da década de 1930”. Acredito que esse resultado possa ser aplicado facilmente a outras partes do mundo moderno. A verdade é que nunca fomos tão ansiosos!

Ainda assim, este não é um mal apenas da nossa sociedade. Há quase 2000 anos, a ansiedade já atormentava a vida dos contemporâneos de Jesus. Seus conselhos ao seu povo já propunha caminhos diferentes dos que estamos destinados.

Cristo demonstrou a inutilidade da ansiedade diante daquilo que é fugaz e apontou uma causa muito maior – o Reino de Deus – pela qual devemos preocupar-nos. Observando Seus ensinamentos sobre este assunto, destacamos três bons motivos para lançarmos sobre Ele toda nossa ansiedade.

Primeiro, precisamos compreender que a ansiedade é desnecessária e inútil, porque, por mais que tentemos controlar os acontecimentos, nós não temos poder para mudarmos o que há de vir. “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (v.27).
Segundo, quando agimos pelos impulsos da ansiedade abandonamos a certeza do cuidado de Deus por nós. Até o poeta popular aprendeu a lição dos “Três Passarinhos” que, “cantando doces canções de melodias puras e verdadeiras”, anunciam: “não se preocupem!”. O cuidado do Pai Celestial se pode ver através das coisas criadas... “não valeis vós muito mais do que as aves?” (v.26).

Por último, aos olhos de Cristo, algo maior deve ser alvo de nossas inquietações: o Reino de Deus. Quando nos ocupamos com a causa do Reino que “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rom. 14.17), experimentamos um descanso que nasce da certeza de estarmos trabalhando em parceria com Aquele que pode todas as coisas.

Depositar nossas ansiedades nas mãos de Deus é ter a certeza de que Ele nos concederá, por sua graça, “muito mais do que pedimos ou desejamos”, e usará os nossos esforços para abençoar a vida de outros da mesma forma. Nosso desafio é, desde já, preocuparmo-nos com o Reino e sua justiça, para, gradualmente, experimentarmos o Céu na terra.

4 Response to "Nas Tuas mãos, minhas ansiedades"

DANILO Says:

Fantástico!!!

O meu sonho é chegar a este nível de espiritualidade, descansar despreocupadamente nos braços do Pai. Contudo, como a minha fé é tão pequena, fico ansioso, preocupado, estressado, temeroso etc. O que preciso é adotar plenamente a "agenda" do Reino de Deus. Ainda bem que as misericordias do Senhor se renovam a cada manhã e são o motivo de eu não ser consumido. Deus continue te abençoando. Seu texto está brilhante!

V!tor Says:

O desafio é me preocupar com as necessidades do outro, e confiar que alguém se preocupará com as minhas necessidades. É um alvo difícil, mas alcançável. Às vezes a gente consegue, às vezes não. Mas, como diria Kierkergaard, o divertido é o vir a ser.

Marcos Says:

Uma boa dica pra se livrar da ansiedade causada pelos

"problemas" do mundo moderno é lembrar da velha

máxima que paira nos corredores da Escola

Politécnica da UFBa:

"Tudo que está ruim, pode piorar ainda mais!"

Ou, simplesmente (pela releitura de Murphy):

"Tudo que está ruim, COM CERTEZA ficará

MUITO pior!!"

rsrs

V!tor Says:

Essa lógica inversa é mesmo interessante, Simon.

Quando se espera o pior, qualquer coisa é lucro. rs rs

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