Com quantos dias se faz uma vida?

Postado por Vitor Sousa , sexta-feira, 29 de abril de 2011 17:48

O que fazer quando uma pessoa cria um blog no dia do seu aniversário sob a condição de nunca deixá-lo morrer? O que fazer quando essa pessoa deixa o blog inativo por mais de seis meses?

A pessoa pode, no caso, ressuscitar seu blog toda vez que fizer aniversário. E pode mais ainda... pode pegar um texto antigo de sua autoria que circulou apenas por e-mails e pubicá-lo.

Se as pessoas vão gostar? Não sei... mas essa pessoa fez tudo isso.

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Com quantos dias se faz uma vida?

Hoje seria mais uma terça-feira comum na minha vida, mas o ímpeto festivo do meu coração arranjou um motivo a mais para celebrar a vida. Quem pensou em aniversário, quase acertou... Os mais próximos sabem: sou de abril. Mais especificamente, 29 de abril de 1981. Mas é como se diz, "quem não tem o que fazer procura". Fiz umas contas aqui, outras e ali e descobri: hoje, 9 de setembro de 2008, completo 10 mil dias de vida.

Não deu outra, tinha que virar comemoração! Já tinha planejado tudo: festinha com doces, painel fotográfico, músicas que marcaram época... tudo prontinho aqui na cabeça, aí pensei: "deixa ver que dia da semana cai... 9 de setembro... deixa ver... 2008... hum... terça-feira???". Esqueçamos o "plano A".

Sobrou-me apenas uma opção (talvez tenha sido a melhor): refletir. Nessa tarefa me debrucei hoje. E ao fazê-lo, desencavei de um passado abissal memórias de dias que marcaram meu ser e forjaram meu eu. Lembrei de dias felizes e tristes, trágicos e cômicos; lembrei das pessoas que nunca mais vi, também das que vejo sempre, e me entristeci por lembrar de algumas que nunca mais verei. Lembrei de erros e de acertos. Lembrei de muita coisa. E se quer saber, já tinha até me esquecido de como é bom lembrar.

Nesse exercício de lembranças me perdi a manhã inteira, revivendo cada instante em frações imensuráveis de tempo... um labirinto que parecia não ter fim. Até que voltei os olhos para o imenso vazio dos dias que ainda não foram, dias que me reservam tantas outras experiências. "Será que saberei viver os dias que ainda virão?", me questionei... em minha viagem reflexiva singrei os mares do futuro e, com as armas do que fui, enfrentei o monstro do que serei. Da batalha, guardei uma lição numa frase piegas: O QUE VOCÊ FOI, VITOR, PODE MUDAR O QUE VOCÊ SERÁ... PRO BEM OU PRO MAL. VOCÊ ESCOLHE.

No fim, tudo se resume a escolher. Talvez esse tenha sido o pensamento do poeta bíblico quando, em sua oração, clamou ao Divino: "Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria". Sabedoria suficiente para escolher sempre o melhor caminho. Por enquanto, eu vou contando meus dias, até descobrir com quantos dias se faz uma vida...