Equinócio Pastoral

Postado por Vitor Sousa , sexta-feira, 23 de setembro de 2011 08:10

A data da minha ordenação pastoral coincidiu com a chegada da primavera no hemisfério sul. Como se sabe, a primavera é a estação do ano marcada pelo equinócio de setembro, ocasião em que o dia e a noite têm a mesma duração. A partir de então, os dias, gradualmente, vão se tornando mais longos que a noite, até a chegada do verão. Não é de admirar que a chegada dessa estação, desde há muito, esteja ligada à renovação das esperanças! E esperança é sentimento que não chega atrasado em ordenação pastoral.

Naturalmente, o novel pastor é alvo dos mais sinceros desejos de que tudo se vá bem na caminhada que ora se inicia. Por isso mesmo, durante esses dias, tenho recebido as manifestações carinhosas dos parentes e amigos. A sinceridade e a generosidade que acompanham cada gesto têm me emocionado bastante, o que me faz exultar da mais pura e verdadeira alegria. Dessa esperança boa, confesso, não quero jamais saciar-me.

Entretanto, contrariando toda essa boa dádiva, há um tipo de projeção que paira o ar dos ambientes religiosos e que é fruto de uma histórica distorção dos princípios bíblicos. Falo daquela impressão que se tem de que o pastor se transforma, como que num passe de mágica, num ser acima do bem e do mal que goza de plenos poderes espirituais e que, por isso mesmo, está imune às dificuldades inerentes aos reles mortais que compõem o resto da humanidade. Exagero meu? Talvez. Mas pra muitos é assim mesmo que funciona. Botou um paletó, virou homem de aço.

Só quero lembrar que até o Superman tem seu dia de kryptonita. E que nenhum pastor é Super.


Eu poderia usar este espaço para listar tudo que eu espero ser como pastor, ou mesmo tudo que eu NÃO espero. Mas isso se transformaria num texto longo e entediante... e convenhamos, o tédio não combina comigo. Por isso, quero apenas registrar um desafio. Posso até mudar de opinião lá pra frente, mas nesse momento eu penso que será o maior dos desafios que enfrentarei no ministério: conciliar a função pastoral e a minha humanidade.

Eu sei, não vai ser fácil. Mas o que posso fazer, por hora, é aproveitar a coincidência da chegada da primavera para praticar aqueles que podem ser os mandamentos mais negligenciados do Cristo (pelo menos em nossa geração): “Olhai para as aves do céu... Olhai para os lírios do campo...” (Mt 6.26,28). O que me conforta é saber que posso desfrutar da companhia do Deus que se revela nas coisas simples. Se das aves e flores Ele tem cuidado tão bem, em suas mãos entrego a minha caminhada.

E vou assim, de primavera a primavera, “caminhando e cantando e seguindo a canção; aprendendo e ensinando uma nova lição”.

Em Cristo, que em sua infinita sabedoria se fez humano,
Vitor Sousa.

4 Response to "Equinócio Pastoral"

fabio vasco Says:

Vitão, parabéns por tudo que você têm conquistado, sua humildade, sabedoria e amizade me inspiram a ser humano!!!Com muita alegria no coração hoje vou celebrar ao Deus criador de todas as coisas a sua ordenação ao ministério pastoral!!!!!Parabéns!!!!!!

V!tor Says:

Valeu, Fábio! Você faz parte dessa história, velhão!

DANILO GOMES Says:

É isso aí, Pr. Vitor. Nada de querer ser super-homem. O nosso negócio mesmo é ser super-humano, ou seja, humano em plenitude! Paradoxalmente, entretanto, é sempre bom lembrar C. S. Lewis, que diz que nenhum ser humano é um ser comum. Qual será o limite máximo da sua potencialidade? Cristo! Pense nisso.
Parabéns, meu irmão de fé e amigo camarada! Que o Senhor te cubra com abundante graça!

V!tor Says:

Humano, demasiadamente humano... igualzinho a Cristo.

Por isso, careço mesmo da Graça do Pai. Obrigado, meu irmão!

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